Ecos no vazio

genio_solitario

Tenho certeza que a maioria das pessoas mais racionais que existem em algum momento se sentem um pouco solitárias. Os grandes gênios de nossa história tais como o astrônomo e engenheiro Galileu Galilei, o filósofo Giordano Bruno ou até mesmo personalidades mais recentes como o incompreendido  Matemático Allan Turing ou o físico Albert Einstein, certamente em um dado momento de suas vidas sentiram-se sós com suas vozes ecoando num vazio de ignorância, ruído e incompreensão. Acredito que hoje não é diferente e não é preciso ser um superdotado para se sentir ilhado em meio ao oceano de ideias toscas ou no mínimo sem sentido compartilhado pela multidão que nos cerca.

O ciberespaço é um lugar muito favorável a essa tipo de fenômeno, nele encontramos uma esmagadora maioria repetindo ou vociferando os ideais alheios como papagaios, sucumbindo aos modismos transitórios que os transformam em vetores de interesses econômicos ou simplesmente políticos, convenientes a determinados grupos dominantes. Apesar da conectividade globalizar o conhecimento e quebrar as fronteiras geográficas, ainda não conseguimos romper as fronteiras comportamentais e ideológicas que escravizam a grande audiência da Web naquilo que menos interessa ao indivíduo e foca seu olhar para o que se quer vender a ele ou faze-lo acreditar, seja um produto ou uma ideia.

O fato de se ver a vida de um ponto de vista mais racional e analítico é um privilégio de poucos. Mas não deveria. O Brasil é o segundo maior consumidor de internet do mundo, mas que tipo de internauta temos aqui? Acredito que do tipo míope, limitado pelo desinteresse. Aquele que enxerga superficialmente os fatos quando consegue fazê-lo. Ao navegar estamos mais interessados na vida alheia, na violência gratuita ou simplesmente em demonstrar ser quem nunca seremos. Fazemos da versão digital de nossa existência um conto de fadas perfeito para que todos nos vejam como popstars.

Cultuamos valores medíocres e vemos o mundo e as pessoas através de uma escala predatória e exclusora que Valoriza o outro não por sua essência mais por aquilo que ele pode oferecer.  Perpetuamos a não busca do autoconhecimento, da informação útil e edificante ou simplesmente não somos humildes o suficiente para entender que é preciso ir além do convencional. Não compactuar com tais valores e hábitos te transforma num chato, anti-social, alienígena ou coisa parecida. Quantas vezes você já se viu em meio a olhares de crítica só porque detinha a informação e queria compartilha-la. sei bem como é porque já senti na pele e ainda sinto. hoje me tornei uma pessoa mais introjectiva e calada. Antes calar a falar para quem não vai ou quer te escutar. É cruel, trágico, mas é verdade. Fui modificado pela ignorância alheia. Este post é a prova viva deste fenômeno, o mesmo será compartilhado nas redes sociais mas se duas ou três pessoas se interessaram é muito. Então por que escrevo? por que insisto em falar pra ninguém. O faço por prazer. Pela necessidade de compartilhar com o mundo o que penso. Morrerei tentando mas morrerei feliz porque a cada texto sei que contribuo de alguma forma para reflexão.

O que as pessoas não entendem é que o problema não é quem sabe um pouco mais, ou se interessa em conhecer além do que a mídia de massa nos empurra goela abaixo, as lições distorcidas que a escola ensina e os mitos fantasiosos que as religiões pregam, o problema é justamente a maioria que nada sabe e prefere a escuridão à luz. A desinformação é o combustível de todas as guerras, o alimento de todas as doenças e a fonte de toda opressão. Sem informação não há liberdade. Já me perguntaram de onde eu tiro as minhas ideias. Caramba! A informação existe em todos os lugares solta e livre pra quem quiser, é só ir buscar e aglutinar tudo num texto, num conceito, numa opinião, nada além disso. Não quero sentenciar que todos devem tornar-se escritores, intelectuais ou até blogueiros. Não. Somente sugiro que as pessoas investiguem mais e se desenvolvam com isso. As pessoas precisam conseguir pensar por si sós. tenho certeza que será um longo caminho. Se você pensa como eu, então dissemine informação, contamine as pessoas com o vírus da curiosidade. Quem sabe no futuro, as vozes deixem de ecoar no vazio.

Por André Uchôa

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